Tabela de curva glicêmica gestante: valores normais, alterados e o que cada resultado significa

Pessoa fazendo medição de glicose com glicosímetro e tira-teste
A curva glicêmica gestante usa critério IADPSG, com 3 dosagens em jejum, 1h e 2h. Foto: Pavel Danilyuk / Pexels.

A tabela da curva glicêmica gestante tem três valores de referência — jejum, 1 hora e 2 horas após ingestão de 75 g de glicose. Pelo critério IADPSG (adotado pela FEBRASGO e Ministério da Saúde), um único valor alterado já fecha o diagnóstico de diabetes gestacional. Não precisa dos três para ser positivo.

O exame é feito entre 24 e 28 semanas. Resultado normal nessa janela descarta diabetes gestacional na fase em que ela costuma aparecer.

A tabela em uma olhada

Critério IADPSG/FEBRASGO — TOTG 75 g, gestantes:

  • Jejum: normal < 92 mg/dL · alterado ≥ 92 mg/dL
  • 1 hora: normal < 180 mg/dL · alterado ≥ 180 mg/dL
  • 2 horas: normal < 153 mg/dL · alterado ≥ 153 mg/dL

Diabetes gestacional: um único valor alterado. Os três valores normais descartam diabetes gestacional naquela janela.

Para gestantes com glicemia em jejum acima de 92 mg/dL no início da gestação (1º trimestre), o diagnóstico já pode ser feito sem precisar da curva — vale conferir com a obstetra.

Como ler cada valor

Jejum (≥ 92 mg/dL alterado)

Mede a glicemia basal antes da sobrecarga. Reflete a capacidade do pâncreas de manter a glicose normal sem estímulo. Alteração indica resistência à insulina já estabelecida.

1 hora (≥ 180 mg/dL alterado)

Mede o pico após sobrecarga oral de 75 g. É o momento da resposta máxima — pâncreas precisa secretar muita insulina rápido. Alteração indica resposta insulínica retardada ou insuficiente.

2 horas (≥ 153 mg/dL alterado)

Mede a queda após o pico. Reflete a velocidade de eliminação da glicose pela ação da insulina. Alteração indica resistência periférica — músculo, fígado e tecido adiposo respondem menos.

Cada valor avalia uma fase diferente do metabolismo da glicose. Por isso o diagnóstico aceita um único alterado: cada um dos três pode estar mexido por mecanismo distinto.

Mãos segurando glicosímetro mostrando leitura de glicose
O glicosímetro de uso domiciliar é parte do tratamento quando o diagnóstico é fechado. Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels.

Critério IADPSG (FEBRASGO/MS)

O IADPSG (International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups) padronizou em 2010 os pontos de corte que hoje são adotados pela FEBRASGO, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Diabetes.

Os pontos de corte foram definidos a partir do estudo HAPO, que correlacionou níveis maternos de glicemia ao risco de:

  • Macrossomia fetal (peso ao nascer ≥ percentil 90)
  • Hiperinsulinemia neonatal
  • Distocia de ombros e parto traumático
  • Hipoglicemia neonatal

Os valores escolhidos são aqueles em que o risco de cada desfecho aumenta significativamente. Não é "ponto onde começa diabetes" — é "ponto onde tratar reduz risco mensurável para o bebê".

Diferença entre TOTG 75 g e 100 g

Existem duas curvas glicêmicas gestantes em uso:

TOTG 75 g — 2 horas (atual no Brasil)

  • 3 coletas: jejum, 1h e 2h
  • Critério IADPSG: 1 valor alterado fecha diagnóstico
  • Adotado pela FEBRASGO desde 2014

TOTG 100 g — 3 horas (antigo, ainda em uso esporádico)

  • 4 coletas: jejum, 1h, 2h e 3h
  • Critério Carpenter-Coustan: 2 valores alterados fecham diagnóstico
  • Substituído na maior parte do Brasil, mas alguns serviços ainda usam

Se sua receita pede "curva de 100 g" ou "curva de 3 horas", é a versão antiga. Não é errada, mas tem dose maior de glicose, mais tempo no laboratório e critério diferente. Vale checar com a obstetra se ela prefere o atual.

Quando 1 valor alterado já fecha diagnóstico

O critério IADPSG é claro: qualquer valor ≥ ao ponto de corte fecha diabetes gestacional. Não importa qual dos três.

Exemplos práticos:

  • Jejum 88, 1h 175, 2h 155 → positivo (apenas 2h alterado)
  • Jejum 95, 1h 165, 2h 140 → positivo (apenas jejum alterado)
  • Jejum 90, 1h 178, 2h 150 → negativo (todos abaixo)
  • Jejum 92, 1h 180, 2h 153 → positivo (todos no limite)

O ponto de corte é "≥", inclui o valor exato. Jejum 92 já é alterado.

Resultado alterado: próximos passos

Diabetes gestacional não é falha da gestante. É um efeito hormonal previsível em parte das mulheres — fatores de risco como sobrepeso, idade ≥ 35, histórico familiar, gestação anterior com DG aumentam a chance, mas muitas gestantes saudáveis também alteram.

O caminho típico:

  1. Encaminhamento à nutricionista para plano alimentar individualizado
  2. Glicosímetro doméstico, com 4–6 medições por dia (jejum + após refeições)
  3. Atividade física leve depois das refeições (caminhada de 10–15 min)
  4. Reavaliação em 2 semanas

Se o controle não for atingido só com dieta e exercício, entra a insulina. Não é insuficiência sua — é o curso natural da doença em parte das mulheres. Insulina não atravessa a placenta e protege o bebê de hipoglicemia neonatal e macrossomia.

Teste de glicemia capilar com lanceta e monitor de glicose
O monitoramento domiciliar com glicosímetro é parte do tratamento — costuma ser 4 a 6 medições diárias. Foto: Towfiqu barbhuiya / Pexels.

Perguntas frequentes

Posso ter diabetes gestacional com só um valor alterado?

Sim. Pelo critério IADPSG/FEBRASGO, um único valor da curva glicêmica acima do ponto de corte (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180 ou 2h ≥ 153 mg/dL) já fecha o diagnóstico. Não precisa dos três alterados.

Qual é o valor de jejum normal na gestação?

Menor que 92 mg/dL. Jejum entre 92 e 125 mg/dL na gestação fecha diabetes gestacional. Acima de 126 mg/dL, em duas amostras, sugere diabetes mellitus pré-existente — investigação distinta.

E se eu fizer a curva de 100 g em vez da de 75 g?

A curva de 100 g (TOTG 3 horas, critério Carpenter-Coustan) é a versão antiga, ainda em uso em alguns serviços. Tem 4 coletas (jejum, 1h, 2h, 3h) e exige 2 valores alterados para fechar diagnóstico. A versão atual no Brasil é a de 75 g.

Glicemia em jejum de 95 mg/dL no 1º trimestre é diabetes?

É candidato a diabetes gestacional já no 1º trimestre. Em valores acima de 92 mg/dL repetidos, o diagnóstico pode ser feito sem precisar da curva. A obstetra costuma pedir confirmação com nova dosagem ou glicemia 2 horas após refeição.

Se a curva alterar, vou tomar insulina?

Nem sempre. Cerca de 70-85% das gestantes com diabetes gestacional controlam com dieta e atividade física. Insulina entra quando o controle não é atingido em 2 semanas. Ela é segura, não atravessa a placenta e protege o bebê de complicações.

Quanto tempo dura o exame da curva?

Cerca de 2 horas a 2h15 dentro do laboratório, do início ao fim. Coleta em jejum, ingestão da solução em 5 minutos, e duas coletas com 1 hora de espera entre elas. Você fica sentada o tempo todo, sem comer ou beber outra coisa além de água.

Fontes consultadas

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