Exame do cotonete na gestação: para que serve e o que muda no parto

Gestante em consulta com ginecologista no consultório
O exame do cotonete é parte rotineira do pré-natal entre as semanas 35 e 37. Foto: MART PRODUCTION / Pexels.

O exame do cotonete na gestação — nome técnico: cultura para estreptococo do grupo B (GBS) — é feito entre a 35ª e a 37ª semana, dura menos de 5 minutos e não causa dor. A bactéria pesquisada, Streptococcus agalactiae, está presente naturalmente em 10–30% das mulheres sem causar nenhum problema para elas.

O problema é durante o parto: a bactéria pode ser transmitida ao bebê no canal de nascimento e causar infecção neonatal grave. Por isso, gestantes com cultura positiva recebem antibiótico durante o trabalho de parto. Simples, eficaz, padrão mundial.

O que é o exame do cotonete

É uma cultura microbiológica para detectar a presença de Streptococcus agalactiae, mais conhecida como estreptococo do grupo B (GBS). A coleta é feita com um swab — basicamente um cotonete estéril longo — esfregado em duas regiões:

  • Vagina externa (introito vaginal): sem espéculo, swab introduzido a 1 cm
  • Região perianal: mesmo swab ou um segundo, deslizado em volta do ânus

O material é enviado ao laboratório, plaqueado em meio seletivo e incubado por 24-48 horas. O resultado vem em até 4 dias.

Coleta é feita por médico ou enfermeira treinada, em consultório ou ambulatório. Algumas clínicas permitem coleta em casa (autocoleta), seguida de envio ao laboratório — funciona, mas precisa de orientação para acertar a técnica.

Quando e como é feito

A janela padrão é 35 a 37 semanas de gestação. Por quê esse intervalo:

  • Antes de 35 semanas: a colonização pode ainda não estar presente
  • Depois de 37 semanas: parto pode acontecer antes do resultado
  • O exame dura cerca de 5 semanas como referência válida — fora dessa janela, perde precisão

A coleta em si:

  1. Você fica deitada na maca em posição ginecológica (sem perneiras necessariamente — pode ser posição relaxada)
  2. Sem espéculo. Não é exame ginecológico clássico
  3. Swab é introduzido cerca de 1 cm na vagina e girado por 2-3 segundos
  4. O mesmo (ou um segundo) swab passa pela região perianal
  5. Frasco rotulado, envio ao laboratório

Total: menos de 5 minutos. Sem dor. Sem sangramento.

Por que pesquisar estreptococo B

O estreptococo do grupo B é uma bactéria comensal — vive normalmente em parte da população sem causar doença. Em gestantes, a colonização vaginal/retal é assintomática em quase todos os casos. Não causa corrimento, dor ou alteração nenhuma para a mãe.

Mas, durante o parto vaginal, o bebê passa pelo canal e pode ser colonizado. Em uma fração pequena dos bebês colonizados, a bactéria invade a corrente sanguínea ou meninges nas primeiras horas/dias de vida — quadro conhecido como infecção neonatal precoce por GBS. Pode causar pneumonia, sepse e meningite. Letal em alguns casos.

A profilaxia com antibiótico no parto reduz drasticamente esse risco. Antes do rastreio universal, infecção precoce por GBS era uma das principais causas de mortalidade neonatal em recém-nascidos a termo. Hoje, em países que adotaram o protocolo, é rara.

Profissional de saúde preparando material de coleta para exame em gestante
O material coletado segue para cultura microbiológica em laboratório especializado. Foto: MART PRODUCTION / Pexels.

Resultado positivo: e agora?

Cultura positiva significa que você é colonizada por estreptococo do grupo B. Não é infecção, não é doença, não exige tratamento durante a gestação. Mas muda uma coisa: você precisa de antibiótico endovenoso durante o trabalho de parto.

Em números: cerca de 1 em cada 4 a 5 gestantes brasileiras tem cultura positiva. É comum. Não é falha sua, não é falta de higiene, não muda nada na conduta da gestação.

O resultado fica registrado na caderneta da gestante e no prontuário. Quando você chegar à maternidade em trabalho de parto, a equipe vai abrir a caderneta, ver o resultado e iniciar antibiótico imediatamente.

Antibiótico no parto: como funciona

Esquema padrão para profilaxia intraparto:

  • Penicilina G 5 milhões UI EV (dose de ataque), seguido de 2,5 milhões UI EV a cada 4 horas até o parto
  • Alternativa em alérgicas a penicilina: ampicilina, cefazolina, clindamicina ou vancomicina (depende do tipo de alergia)

Para ser eficaz, o antibiótico precisa de pelo menos 4 horas antes do parto. Por isso a recomendação de procurar a maternidade ao primeiro sinal de trabalho de parto e não esperar em casa quando você sabe que é GBS positivo.

Se a bolsa rompe e o trabalho de parto demora a começar, o antibiótico pode ser iniciado mesmo antes das contrações regulares. Cesárea eletiva sem trabalho de parto e com bolsa íntegra dispensa antibiótico — nesse caso, o bebê não passa pelo canal vaginal.

Resultado negativo (e exceções)

Cultura negativa significa que, no momento da coleta, você não estava colonizada. Resultado válido por cerca de 5 semanas — daí a janela de 35–37 semanas.

Mas há exceções em que antibiótico é dado mesmo com cultura negativa ou desconhecida:

  • Filho anterior com infecção neonatal por GBS
  • Bacteriúria por GBS na gestação atual (positivo na urocultura)
  • Trabalho de parto antes de 37 semanas com cultura desconhecida
  • Bolsa rompida há mais de 18 horas com cultura desconhecida
  • Febre intraparto (≥ 38°C) com cultura desconhecida

Detalhe importante: o exame do cotonete não substitui outros cuidados pré-natais. É só uma das ferramentas — junto com vacinas, ultrassom, exames laboratoriais e acompanhamento clínico.

Gestante em consulta tranquila com mão na barriga
O resultado, positivo ou negativo, fica registrado na caderneta — vai para a maternidade junto com o resto do histórico. Foto: MART PRODUCTION / Pexels.

Perguntas frequentes

O exame do cotonete dói?

Não. É um swab estéril introduzido a cerca de 1 cm na vagina externa e passado pela região perianal — leva menos de 5 minutos. Não usa espéculo, não causa sangramento.

Tenho que ter resultado positivo para tomar antibiótico no parto?

Não necessariamente. Antibiótico também é indicado em situações específicas mesmo com cultura negativa ou desconhecida — bebê anterior com GBS, bacteriúria por GBS na gestação, trabalho de parto prematuro com cultura desconhecida, bolsa rompida há mais de 18 horas, ou febre intraparto.

Posso ter relação sexual antes do exame?

Idealmente, evite por 24-48 horas antes da coleta. Lubrificantes, espermicidas e duchas vaginais também — qualquer coisa que altere a flora vaginal pode interferir no resultado.

Quanto tempo leva para ter o resultado?

A cultura precisa de 24 a 48 horas de incubação no laboratório. O resultado costuma sair em 2 a 4 dias úteis. Tempo de retorno para o consultório varia conforme o laboratório.

E se eu fizer cesárea eletiva?

Cesárea eletiva sem trabalho de parto e com bolsa íntegra dispensa antibiótico para GBS — o bebê não passa pelo canal vaginal. Mas se você entrar em trabalho de parto antes da cesárea ou a bolsa romper, a indicação volta a valer.

Posso recusar o exame?

Pode, mas em geral a equipe vai considerar como 'cultura desconhecida' e aplicar antibiótico no parto se houver fator de risco — o que costuma significar mais antibiótico, não menos. Vale a pena fazer o exame e ter o resultado preto no branco.

Fontes consultadas

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